Os três Mosqueteiros

segunda-feira, abril 21, 2008

How fun is it to be a student...



eu sou algo inapta nestes casos, mas sou bem intencionada, portanto...
http://www.phdcomics.com/comics/archive.php?comicid=991

domingo, dezembro 23, 2007

Feliz Natal

Num meio-dia de fim de primavera
Tive um sonho como uma fotografia.
Vi Jesus Cristo descer à terra.
Veio pela encosta de um monte
Tornado outra vez menino,
A correr e a rolar-se pela erva
E a arrancar flores para as deitar fora
E a rir de modo a ouvir-se de longe.

Tinha fugido do céu.
Era nosso demais para fingir
De segunda pessoa da Trindade.
No céu era tudo falso, tudo em desacordo
Com flores e árvores e pedras.
No céu tinha que estar sempre sério
E de vez em quando de se tornar outra vez homem
E subir para a cruz, e estar sempre a morrer
Com uma coroa toda à roda de espinhos
E os pés espetados por um prego com cabeça,
E até com um trapo à roda da cintura
Como os pretos nas ilustrações.
Nem sequer o deixavam ter pai e mãe
Como as outras crianças.
O seu pai era duas pessoas
Um velho chamado José, que era carpinteiro,
E que não era pai dele;
E o outro pai era uma pomba estúpida,
A única pomba feia do mundo
Porque não era do mundo nem era pomba
E a sua mãe não tinha amado antes de o ter.

Não era mulher: era uma mala
Em que ele tinha vindo do céu.
E queriam que ele, que só nascera da mãe
E nunca tivera pai para amar com respeito,
Pregasse a bondade e a justiça!

Um dia que Deus estava a dormir
E o Espírito Santo andava a voar,
Ele foi à caixa dos milagres e roubou três.
Com o primeiro fez que ninguém soubesse que ele tinha fugido.
Com o segundo criou-se eternamente humano e menino.
Com o terceiro criou um Cristo eternamente na cruz
E deixou-o pregado na cruz que há no céu
E serve de modelo às outras.
Depois fugiu para o sol
E desceu pelo primeiro raio que apanhou.

Hoje vive na minha aldeia comigo.
É uma criança bonita de riso e natural.
Limpa o nariz ao braço direito,
Chapinha nas poças de água,
Colhe as flores e gosta delas e esquece-as.
Atira pedras aos burros,
Rouba a fruta dos pomares
E foge a chorar e a gritar dos cães.
E, porque sabe que elas não gostam
E que toda a gente acha graça,
Corre atrás das raparigas pelas estradas
Que vão em ranchos pela estradas
com as bilhas às cabeças
E levanta-lhes as saias.

A mim ensinou-me tudo.
Ensinou-me a olhar para as cousas.
Aponta-me todas as cousas que há nas flores.
Mostra-me como as pedras são engraçadas
Quando a gente as tem na mão
E olha devagar para elas.

Diz-me muito mal de Deus.
Diz que ele é um velho estúpido e doente,
Sempre a escarrar no chão
E a dizer indecências.
A Virgem Maria leva as tardes da eternidade a fazer meia.
E o Espírito Santo coça-se com o bico
E empoleira-se nas cadeiras e suja-as.
Tudo no céu é estúpido como a Igreja Católica.
Diz-me que Deus não percebe nada
Das coisas que criou —
"Se é que ele as criou, do que duvido" —
"Ele diz, por exemplo, que os seres cantam a sua glória,
Mas os seres não cantam nada.
Se cantassem seriam cantores.
Os seres existem e mais nada,
E por isso se chamam seres."
E depois, cansados de dizer mal de Deus,
O Menino Jesus adormece nos meus braços
e eu levo-o ao colo para casa.
.............................................................................
Ele mora comigo na minha casa a meio do outeiro.
Ele é a Eterna Criança, o deus que faltava.
Ele é o humano que é natural,
Ele é o divino que sorri e que brinca.
E por isso é que eu sei com toda a certeza
Que ele é o Menino Jesus verdadeiro.

E a criança tão humana que é divina
É esta minha quotidiana vida de poeta,
E é porque ele anda sempre comigo que eu sou poeta sempre,
E que o meu mínimo olhar
Me enche de sensação,
E o mais pequeno som, seja do que for,
Parece falar comigo.

A Criança Nova que habita onde vivo
Dá-me uma mão a mim
E a outra a tudo que existe
E assim vamos os três pelo caminho que houver,
Saltando e cantando e rindo
E gozando o nosso segredo comum
Que é o de saber por toda a parte
Que não há mistério no mundo
E que tudo vale a pena.

A Criança Eterna acompanha-me sempre.
A direção do meu olhar é o seu dedo apontando.
O meu ouvido atento alegremente a todos os sons
São as cócegas que ele me faz, brincando, nas orelhas.

Damo-nos tão bem um com o outro
Na companhia de tudo
Que nunca pensamos um no outro,
Mas vivemos juntos e dois
Com um acordo íntimo
Como a mão direita e a esquerda.

Ao anoitecer brincamos as cinco pedrinhas
No degrau da porta de casa,
Graves como convém a um deus e a um poeta,
E como se cada pedra
Fosse todo um universo
E fosse por isso um grande perigo para ela
Deixá-la cair no chão.

Depois eu conto-lhe histórias das cousas só dos homens
E ele sorri, porque tudo é incrível.
Ri dos reis e dos que não são reis,
E tem pena de ouvir falar das guerras,
E dos comércios, e dos navios
Que ficam fumo no ar dos altos-mares.
Porque ele sabe que tudo isso falta àquela verdade
Que uma flor tem ao florescer
E que anda com a luz do sol
A variar os montes e os vales,
E a fazer doer nos olhos os muros caiados.

Depois ele adormece e eu deito-o.
Levo-o ao colo para dentro de casa
E deito-o, despindo-o lentamente
E como seguindo um ritual muito limpo
E todo materno até ele estar nu.

Ele dorme dentro da minha alma
E às vezes acorda de noite
E brinca com os meus sonhos.
Vira uns de pernas para o ar,
Põe uns em cima dos outros
E bate as palmas sozinho
Sorrindo para o meu sono.
......................................................................
Quando eu morrer, filhinho,
Seja eu a criança, o mais pequeno.
Pega-me tu ao colo
E leva-me para dentro da tua casa.
Despe o meu ser cansado e humano
E deita-me na tua cama.
E conta-me histórias, caso eu acorde,
Para eu tornar a adormecer.
E dá-me sonhos teus para eu brincar
Até que nasça qualquer dia
Que tu sabes qual é.
.....................................................................
Esta é a história do meu Menino Jesus.
Por que razão que se perceba
Não há de ser ela mais verdadeira
Que tudo quanto os filósofos pensam
E tudo quanto as religiões ensinam?

Alberto Caeiro - poema VIII d' O Guardador de Rebanhos

quinta-feira, outubro 18, 2007

Just a reminder


...and all that you need is right here in your hand.



segunda-feira, setembro 17, 2007

go on and get out of here

take care, take good care
make sure to come back soon
yes i know
you drive real fast
but your head is made of steel
lucky for you

don't forget, don't forget
your bags and your scratched up cds
$75 and a bottle of sweets
will keep you at the wheel
thats what you need

bye now, goodbye now
i know you hate that word
later then
i'll see you soon
i know just how you feel
it'll have to do

Just a second - Jump Little Children

Trop aviat :)

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sexta-feira, junho 29, 2007

Quão bons/maus somos a tomar decisões?

Há um modelo de toma de decisões (usualmente designado por ‘modelo racional’) que nos tem (a nós, humanos) em muito boa conta no que toca a tomar decisões.
E o que é que este modelo diz?

Parece que nós, perante um problema, o avaliamos, procuramos informação que possa ajudar para a resolução e avaliamos as alternativas existentes. Quando encontrada a alternativa óptima, esta é aplicada e depois revisada. Ah, e se surge outra alternativa que de repente parece mais adequada, então há que mudar para essa.

De esta forma, somos seres racionais (aqui sem grandes refutações), capazes de tomar decisões racionais. Somos capazes de obter toda a informação que necessitamos (ainda mais agora, que estamos na era da informação!), avaliar que opções que temos e, assim, teremos a decisão óptima.

Então porque raio acabamos sempre, não só por tomar decisões erradas, mas, e pior, repetir decisões erradas à medida que crescemos? Teremos, como diz a sabedoria popular 'memória curta'? Demasiado preguiçosos para procurar a informação que precisamos?

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segunda-feira, abril 16, 2007

Publicidade

Portanto, não é segredo nenhum de que eu gosto de publicidade. Gosto sobretudo de publicidade institucional - aquela em que ninguém está a tentar ver a melhor maneira de nos impingir algo de que não precisamos mas vamos loucamente querer comprar; aquela em que o que importa é que a mensagem fique (a)gravada algures no espectador... (jezz, sou mesmo esquisito eu. adiante.)


E hoje encontrei este póster. O tema é um pouco deprimente. O próprio póster é derprimente. Mas acho que passa a mensagem e que a passa de uma forma eficaz. (like I said, sou mesmo esquisito...). O póster é da autoria do departamento de saúde da Comunidad Autónoma de Madrid...

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terça-feira, março 20, 2007

Fallas, fallas...

Como já fiz um post gigante no outro blog e este, pobrezinho, não tinha nada há que tempos, aqui está a minha versão (muito resumida) dos dias de Fallas.

Numa frase: nunca vi nada assim.
No início de Março começaram os petardos, a explodir de forma (aparentemente) aleatória. Começaram a aparecer nalgumas ruas também uns bonecos, ou partes de bonecos enormes. Mas enfim, quem não sabe é como quem não vê, portanto não liguei especialmente. Nos dias anteriores aos de auge (os dias mais importantes são de 15 a 19) havia todos os dias mascletàs na plaza de ayuntamento – basicamente barulho a níveis tudo menos saudáveis.
Nos dias de auge: durante o dia havia cortejos de falleras, bandas de cada freguesia da cidade passeando por esta, petardos (mais uma vez, e sempre), montes de pessoas andando dum lado para outro, para poder ver todas as fallas. À noite…por volta da meia noite/uma da manhã (não foi sempre à mesma hora) havia um fogo de artificio fantástico. Gostei especialmente porque mesmo quando estávamos numa multidão de pessoas, toda a gente fazia silêncio e no fim batiam palmas como loucos. Um dos dias fomos ver o fogo do jardim e no fim do fogo o pessoal começou a mandar um tipo especial de petardos que depois de lançados iam para o meio do pessoal, e toda a gente começou a correr, a fugir. Tive medo como tudo, mas foi super divertido. Depois do fogo, festas por toda a cidade, as ruas cheias de pessoas a dançar, a passear, a cantar (claro, muitos bastante bêbedos) até ao dia amanhecer. Ah, e comer boñuelos (uma especie de mistura entre filhoses e sonhos) e chocolate quente na rua a horas impróprias.
No último dia, foram as cremas. Deu-me muita pena, porque havia fallas lindíssimas, e queimá-las parecia um desperdício de trabalho e dedicação. Mas enfim, tradição é tradição e lá as queimaram. É na verdade bastante bonito e toda a gente (mais uma vez) aplaude que nem loucos.
E agora, de volta à vida normal. A verdade é que não sei como este pessoal aguenta tantos dias de festa.
Mas que adorei, adorei.