Os três Mosqueteiros

quarta-feira, janeiro 11, 2006

Dei por mim a pensar...

Este post vai parecer um pouco tétrico - sobretudo porque vem logo depois dos de boas festas e de pensamentos profundos acerca do novo ano. Mas acho que não me vão levar a mal...
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Um pouco devido a acontecimentos (infelizmente demasiado) recentes, dei por mim num daqueles momentos de reflexão em que, de repente, nos apercebemos de algo que esteve ali todo o tempo, só à espera da altura certa para se revelar. Dei por mim a pensar do que sentiria mais falta se, por uma fatalidade do destino, fosse obrigada a despedir-me da minha vida terrena.
Nos primeiros segundos, vieram-me aqueles lugares comuns à cabeça: telemóvel, passear a ver montras, navegar na net, ver televisão.
Depois, lembrei-me dos bolos que a minha mãe fazia ao domingo à tarde (quando ainda não andava tão ocupada com as lides universitárias), daqueles que saem quentiinhos do forno, mesmo a pedirem uma dentada. Lembrei-me de como é bom ver o nosso clube ganhar quando aos 80' ainda está empatado a dois. Lembrei-me das tardes de sexta, em que o fim-de-semana e o regresso a casa estão mesmo à porta.
Mas depois pensei: e se soubesse que tinha apenas 24 horas, e uma última oportunidade de fazer tudo pela última vez?... Então, o que faria?...
E dei por mim a pensar que gostaria de voltar a deitar-me na relva a ver a forma das nuvens num fim de tarde de verão - tal como quando tinha seis anos e os dias tinham no seu âmago horas infinitas, que chegavam para tudo. Dei por mim a pensar que gostava de andar mais uma vez à "porrada" com o meu irmão, como quando éramos miúdos, e a minha irmã, de tão pequenina, ainda não sabia que um dia faria o mesmo. Dei por mim a pensar que gostaria de guardar intacta a sensação daquele primeiro beijo, quando a inocência ainda ditavas as regras, e tudo era mágico e para sempre. Dei por mim a pensar que gostaria de conduzir só mais uma vez, ainda que o estacionamento não fosse perfeito, e a embraiagem me continuasse a dar cabo do juízo. Dei por mim a pensar que gostaria de ser capaz de chegar junto de algumas pessoas, olhá-las nos olhos e dizer-lhes o quão importante foi a sua presença em alguns momentos da minha vida - mesmo que nem sequer se tenham aprecebido, ou que já nem se lembrem. Dei por mim a pensar que gostaria de ser capaz de engolir em seco, aproximar-me daquele tipo quatro anos mais velho que conheci numas férias, dizer-lhe que o achava um pedaço e que queria que me levasse a casa.
Dei por mim a compreender que o essencial é invisível aos olhos e que, acima de tudo, a felicidade está mesmo nas pequenas coisas - um olhar na hora certa, um abraço quando tudo à nossa volta parece estar prester a ruir, as cumplicidades trocadas num olhar quando já tudo é certo, uma gargalhada a propósito de tudo e de coisa nenhuma, aquela música a tocar na rádio depois de um dia infernal.
E então pensei: porque não? Será que não conseguia?... Talvez o 'cape diem' não seja muito a minha onda, talvez a incerteza do futuro ocupe grande parte do meu pensamento no presente. Mas, e uma solução de compromisso, um meio-termo? Serei capaz?...
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Desculpem lá a extensão do post, e a temática quase depressiva. Será culpa da época de exames?...

1 Comments:

  • gostei mesmo muito do post...
    fiquei sem é saber o que comentar.

    parece uma tarefa desafiante,mas deve valer a pena;e acho que só há uma maneira de veres se és capaz..desafianto-te a ti própria.;)
    *bjinho

    By Blogger jagged_little_pill, at 9:39 p.m.  

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